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Eu, eu mesmo e a torta doce

Certa madrugada eu estava numa padaria, e na vitrina havia uma torta, numa forma quadrada e grande, lembrava muito um rocambole na parte interna, sei disso pois eu estava cortando ela tirando um grande pedaço.
Mas eu também estava logo atrás, observando a cena, e a torta que era apenas o torso e a cabaça humana dizia: - Não me coma, pare com isso. Por favor! A torta também era eu. E então eu disse para o outro eu que estava corta: - Para, deixa ele em paz.
Mas ele não me deu ouvidos, continuou cortando e tirando um grande pedaço.

Não havia dor, mas sim o medo de desaparecer. Por dentro parecia delicioso, uma massa fofinha enrolando um doce de leite.

Acordei enjoado, e com uma sensação muito ruim na alma mesmo. Não sei como explicar direito, um nojo, repudio.

Era 24 de dezembro. A noite fomos para casa de um familiar, e a mesa estava farta, comi de tudo, incluindo uma torta tipo lasanha, uma delicia, e depois tivemos doces, pavê de maracujá, etcetera.
Mas não posso muito com coisas de leite, uma leve intolerância, e também já não tenho vesicular biliar. Rapidamente me senti cheio, pronto para explodir em um grande desconforto.

Não teve jeito, ao chegar em casa corri para o banheiro, meu estômago parecia que iria explodir em gases. Salivei arrotando e meio entorpecido. Não tinha jeito... - Que desgraça! isso só acontece comigo!
E enfiei o dedo na goela. Foi como um botão de ligar, neste instante me lembrei do sonho.

Um jato ácido passou por ai. Extremamente desagradáve e quente. Mas logo veio o alívio do estômago. Quase desmaiei.

Enxagueia a boca. lavei o rosto. Enquanto reclamava.
Mas a imagem do espelho não me aconpanhou.
- Te avisei.

Assim foi o meu Natal.

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